O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para decidir se deve ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
O julgamento está marcado para começar às 10h e será conduzido pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, que também é o relator do caso. A Corte vai analisar se os elementos reunidos pela Polícia Federal justificam a abertura de uma investigação sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.
O caso tem provocado forte tensão dentro do Supremo e expôs divergências entre ministros. A análise ocorre após um relatório da Polícia Federal apontar 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. O documento, segundo as informações divulgadas, não registra o conteúdo das eventuais respostas do ministro.
Moraes contesta relatório da Polícia Federal
Na véspera do julgamento, Alexandre de Moraes apresentou manifestação de 44 páginas ao presidente do STF. No documento, o ministro classificou o relatório da PF como “nulo e imprestável” e levantou suspeitas sobre a cadeia de custódia dos dados utilizados na elaboração do material.
Moraes afirmou ainda que o relatório teria contado com possível auxílio de um órgão estrangeiro e classificou o episódio como uma tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026.
O ministro também questionou a forma como os dados foram analisados e afirmou que o documento contém ilações e informações que, segundo ele, não demonstrariam a prática de qualquer infração penal.
Como será o julgamento
Fachin fará a leitura do relatório e, posteriormente, haverá manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e eventuais sustentações orais.
Na sequência, o relator apresentará seu voto sobre a abertura ou não da investigação. Os demais ministros deverão votar posteriormente, seguindo a ordem do mais novo para o mais antigo, até a proclamação do resultado.
Uma das questões que podem ser discutidas durante a sessão é a participação de alguns ministros na votação. Há dúvidas sobre a possibilidade de Moraes e André Mendonça participarem do julgamento, enquanto Dias Toffoli já havia se declarado suspeito em investigações relacionadas ao Caso Master.
Crise aumenta tensão entre ministros
O julgamento ocorre em meio a uma escalada de divergências entre integrantes do Supremo. Nos últimos dias, ministros trocaram manifestações e decisões relacionadas às investigações sobre o Banco Master e ao conteúdo do celular de Vorcaro.
Fachin assumiu a relatoria do caso e adotou medidas relacionadas às investigações. Ministros como Gilmar Mendes e Cristiano Zanin também solicitaram acesso ao conteúdo do aparelho de Vorcaro.
Nos bastidores, aliados de Moraes avaliam que a sessão deverá ser marcada por um forte embate. Há expectativa de que o ministro questione a atuação de Mendonça e outros integrantes da Corte durante o julgamento.
A decisão desta terça-feira não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal de Alexandre de Moraes. O objetivo da sessão é definir se existem elementos suficientes para a abertura de uma investigação formal sobre os fatos.