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SUS começa a oferecer nove novos medicamentos contra o câncer em 20 centros do país

Tratamentos contemplam 13 indicações oncológicas e podem beneficiar mais de 116 mil pessoas; em Goiás, o Hospital de Câncer Araújo Jorge, em Goiânia, participa da implementação
FOTO: REPRODUÇÃO

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a ofertar nove medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer. A distribuição teve início nesta semana, em 20 centros especializados de todas as regiões do país, com previsão de expansão para os demais serviços até dezembro de 2026.

De acordo com o Ministério da Saúde, os medicamentos contemplam 13 indicações diferentes de tratamento e devem beneficiar mais de 116 mil pessoas. A iniciativa amplia o acesso a terapias para pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, rim, estômago, tireoide e determinados tipos de linfoma, entre outros tumores.

Em Goiás, a implementação também começou no Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ), em Goiânia. A medida integra a nova política de Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), criada para organizar o financiamento, a aquisição e a oferta de medicamentos contra o câncer na rede pública.

Segundo o Ministério da Saúde, parte desses medicamentos já havia sido incorporada ao SUS, mas ainda não estava disponível de forma efetiva nos serviços de saúde. A nova estratégia busca superar essa dificuldade e garantir o acesso aos tratamentos previstos.

Quais são os nove medicamentos contra o câncer?

A lista reúne medicamentos destinados a diferentes tipos de tumores e situações clínicas. A indicação depende do diagnóstico, do estágio da doença e das características de cada paciente.

Confira os medicamentos e suas principais indicações:

  • Trastuzumabe: tratamento de câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
  • Abemaciclibe: determinados casos de câncer de mama em estágio inicial.
  • Acetato de lanreotida: tratamento de tumores neuroendócrinos.
  • Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático.
  • Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e determinados tipos de linfoma.
  • Abiraterona: diferentes situações clínicas do câncer de próstata.
  • Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células, em primeira linha de tratamento.
  • Alfatirotropina (TSH recombinante): câncer diferenciado de tireoide em pacientes com indicação de tratamento com iodo radioativo.
  • Sunitinibe: câncer renal de células claras metastático e tumores gastrointestinais específicos, como o GIST avançado ou metastático após falha ao imatinibe.

A ampliação também inclui novas indicações para medicamentos que já eram utilizados na rede pública. É o caso do trastuzumabe, que passa a contemplar pacientes com câncer de estômago, além de seu uso no tratamento do câncer de mama.

Medicamentos de alto custo passam a ser oferecidos pelo SUS

Entre os tratamentos incluídos está o abemaciclibe, utilizado em determinados casos de câncer de mama. Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento pode custar cerca de R$ 366 mil na rede privada, o que evidencia o impacto financeiro que esse tipo de terapia pode representar para os pacientes.

Com a oferta pelo SUS, a expectativa é ampliar o acesso ao tratamento para as pessoas que atendam aos critérios clínicos estabelecidos.

Os medicamentos atuam de maneiras diferentes e podem contribuir para aumentar a sobrevida, melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de retorno da doença em situações específicas, inclusive após procedimentos cirúrgicos.

Governo prevê 23 novos medicamentos oncológicos até dezembro

A oferta dos nove medicamentos faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério da Saúde para fortalecer a assistência oncológica no país. A meta é disponibilizar 23 novos fármacos para tratamento do câncer até o fim de 2026, ampliando em 35% as alternativas terapêuticas na rede pública.

O investimento anual previsto apenas para a aquisição dos nove medicamentos desta etapa é de R$ 155,4 milhões. Já o custo estimado para viabilizar a oferta dos 23 fármacos é de aproximadamente R$ 4 bilhões por ano.

A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025, que busca ampliar a capacidade de atendimento especializado no SUS e reduzir o tempo de espera por diagnóstico e tratamento.

A expansão dos medicamentos para os demais centros oncológicos está prevista até dezembro. A prescrição e o acesso aos tratamentos dependem da indicação médica e dos critérios clínicos aplicáveis a cada medicamento.