O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (20/10), um pedido para autorizar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A iniciativa, porém, está condicionada a uma medida equivalente por parte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário na disputa presidencial.
A proposta prevê a divulgação de informações referentes aos últimos oito anos e também alcança familiares e empresas vinculadas aos dois políticos. O documento foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, após Lula lançar o desafio durante o debate presidencial realizado no domingo (18), na TV Band.
A medida foi apresentada em meio ao confronto entre os candidatos, que trocaram acusações e questionamentos sobre patrimônio e possíveis irregularidades durante a campanha.
Familiares e empresas estão incluídos no pedido
A autorização apresentada por Lula contempla a primeira-dama, Janja Lula da Silva, e os cinco filhos do presidente: Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva.
O documento também inclui a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., vinculada ao presidente. A divulgação dos dados, entretanto, depende da adesão de Flávio Bolsonaro aos mesmos termos.
No caso do senador, a proposta abrange informações dele próprio, da esposa, Fernanda Bolsonaro, dos pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.
O requerimento também cita cinco pessoas jurídicas relacionadas ao senador, entre elas uma empresa offshore. A intenção é contemplar empresas das quais os envolvidos sejam sócios ou administradores, além de contas bancárias sob sua responsabilidade financeira.
Desafio surgiu durante debate presidencial
A iniciativa foi anunciada após o embate entre Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Band. Durante o confronto, o presidente questionou o patrimônio do senador e o desafiou a permitir a divulgação de informações financeiras.
Flávio, por sua vez, fez acusações contra Lula e mencionou suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Ao defender a proposta, Lula afirmou que a abertura dos sigilos permitiria aos eleitores conhecer informações sobre a situação financeira dos candidatos e de seus familiares. O presidente também voltou a cobrar publicamente uma resposta do adversário.
“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é que é ladrão nesse país, quem é que é corrupto. E eu quero ver se ele tem coragem”, declarou Lula durante um evento de campanha em São Luís, nesta terça-feira.
Divulgação depende de adesão de Flávio
Apesar da autorização apresentada pelo presidente, a iniciativa está condicionada à reciprocidade. Para que a proposta avance nos termos anunciados, Flávio Bolsonaro precisará concordar com a abertura dos próprios sigilos e com o alcance previsto para familiares e empresas.
Até a publicação da notícia pela Agência Brasil, não havia confirmação de que o senador tivesse aceitado a proposta.
O episódio acrescenta um novo capítulo à disputa presidencial, com os candidatos utilizando o tema da transparência patrimonial como instrumento de confronto político na reta final da campanha.