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IPAMERI, QUEM SERÁ O PROXIMO PREFEITO(A)?

POLÍTICA | CONEXÃO RECORD | IPAMERI – GOIÁS

Quem será o próximo prefeito de IPAMERI? Quem Jânio Pacheco vai apoiar?

Com o atual prefeito já reeleito e sem poder disputar, a sucessão de 2028 começa a movimentar os bastidores políticos. Ex-prefeita, vice-prefeita, vereadores, empresários e lideranças rurais aparecem no tabuleiro. Mas quem tem força eleitoral, articulação política e capacidade para conquistar o apoio de Janinho Pacheco?

Ipameri começa a viver, ainda que discretamente, uma das disputas políticas mais interessantes dos últimos anos. As eleições municipais de 2028 estão a quase dois anos de distância, mas o processo sucessório já desperta ambições, movimenta lideranças e coloca uma pergunta no centro das conversas políticas: quem será o escolhido para receber o apoio do prefeito Jânio Pacheco, o popular Janinho?

Eleito em 2020 e reeleito em 2024, Janinho construiu uma posição de destaque na política municipal. Nas últimas eleições, conquistou 9.632 votos, equivalentes a 60,43% dos votos válidos, derrotando a ex-prefeita Daniela Vaz Carneiro, que recebeu 6.307 votos, ou 39,57%. Uma vitória por mais de 3,3 mil votos de diferença.

O resultado consolidou sua força eleitoral, mas não significa que essa votação será automaticamente transferida ao sucessor. Na política, apoio de prefeito ajuda, porém não substitui carisma, capacidade de articulação, propostas e credibilidade junto ao eleitorado.

Janinho não poderá concorrer novamente ao cargo em 2028, em razão do limite constitucional de dois mandatos consecutivos. Isso lhe reserva outro papel: o de articulador de uma candidatura capaz de preservar seu legado administrativo e manter seu grupo no comando do município.

Reportagem publicada pelo Jornal Opção em 7 de novembro aponta que Iraneide Mariano, Ludmila Cozac e Bartô Filho já manifestam interesse na disputa. O prefeito, entretanto, ainda não anunciou quem pretende apoiar.

Mas o quadro político pode ser muito mais amplo. Entre nomes com trajetórias diferentes, aparecem Daniela Carneiro, Bartolomeu Honório, Ludmila Cozac, Renato Sales, Alisson Rosa, Geninho, Iraneide Mariano, Douglas Troncha e Bartô Filho.

Cada um traz um ativo político distinto. Uns têm votos, outros experiência administrativa, influência econômica, inserção social ou proximidade com o atual governo. A grande questão será transformar esses atributos em uma candidatura competitiva.

Daniela Carneiro: a experiência de quem já governou e conhece o peso das urnas

Daniela Vaz Carneiro é uma das figuras mais conhecidas da política ipamerina. Eleita prefeita em 2012 e reeleita em 2016, administrou o município durante oito anos, entre 2013 e 2020. Seu histórico demonstra capacidade de conquistar eleições majoritárias e organizar uma estrutura política própria.

Seu maior trunfo é justamente a experiência. Diferentemente de possíveis estreantes, Daniela conhece o funcionamento da máquina pública, os desafios da administração e o peso das decisões de um chefe do Executivo.

No entanto, a eleição de 2024 mostrou que a experiência administrativa, sozinha, não foi suficiente para devolver-lhe a prefeitura. A derrota para Janinho revelou uma dificuldade que precisará ser enfrentada caso decida disputar novamente.

Daniela terá de convencer o eleitor de que representa uma alternativa para o futuro, e não apenas o retorno a um ciclo político anterior, e sem o apoio do Governo, ela que sempre foi uma grande aliada do derrotado ao governo Marconi Perilo.

Seu trunfo: experiência de oito anos à frente da prefeitura, reconhecimento popular e histórico de vitórias eleitorais.

Seu desafio: renovar o discurso, reconstruir alianças e ampliar o eleitorado após a derrota de 2024.

 

Ludmila Cozac: a força do MDB e uma adversária que já chegou perto da vitória


Ludmila Cozac carrega um dos históricos eleitorais mais relevantes entre os nomes discutidos.

Com passagem pela Câmara Municipal e trajetória em disputas majoritárias, Ludmila preside o MDB local e participou das eleições para prefeita em diferentes momentos.

Em 2020, protagonizou uma disputa apertada com Janinho Pacheco. Naquele pleito, a votação foi fragmentada entre quatro candidatos. Janinho venceu com 34,47% dos votos válidos, enquanto Ludmila alcançou aproximadamente 32,86%, demonstrando expressiva capacidade eleitoral.

Esse resultado faz dela uma liderança que não pode ser subestimada.

Sua ligação com o MDB representa outro ativo importante. O partido possui tradição na política goiana e pode oferecer oportunidades de articulação estadual.

O principal obstáculo está dentro do próprio campo político. A vice-prefeita Iraneide Mariano também é apontada como interessada na sucessão. Uma divisão entre as duas poderia dificultar a construção de uma candidatura unificada.

Seu trunfo: votação expressiva em 2020, experiência política, estrutura partidária e reconhecimento eleitoral.

Seu desafio: construir unidade no MDB, ampliar alianças e demonstrar capacidade de superar a votação anterior.

 

Renato Sales: o empresário que pode representar uma alternativa fora da política tradicional

Renato Sales aparece entre os nomes empresariais mencionados para uma eventual composição do cenário sucessório.

A presença de empresários na política municipal costuma despertar interesse porque abre espaço para um debate sobre gestão profissional, atração de investimentos, geração de empregos e modernização administrativa.

O possível diferencial de Renato seria apresentar uma proposta voltada ao desenvolvimento econômico, aproximando a prefeitura das necessidades de empreendedores, trabalhadores e investidores.

Entretanto, há uma diferença considerável entre administrar uma empresa e governar um município. O prefeito precisa lidar com orçamento público, demandas sociais, legislação, servidores e pressões políticas.

Não foram encontrados dados públicos suficientes para reconstruir com segurança a trajetória empresarial e eventual atuação político-partidária de Renato Sales. Assim, seu nome é tratado nesta análise como uma possibilidade apresentada ao debate, não como uma pré-candidatura confirmada.

Seu trunfo potencial: experiência empresarial e capacidade de apresentar uma visão administrativa diferente da política tradicional.

Seu desafio: conquistar reconhecimento eleitoral, construir alianças e demonstrar preparo para a gestão pública.

 

Alisson Rosa: juventude, experiência legislativa e o peso da presidência da Câmara

Alisson Rosa é um dos nomes que merecem atenção em qualquer análise sobre a renovação política de Ipameri.

Atual presidente da Câmara Municipal, filiado ao Progressistas (PP), construiu sua trajetória conciliando participação em programas sociais, atuação comunitária e experiência legislativa.

Nascido em Ipameri, em 1991. Atuou na coordenação de programas destinados à juventude junto ao PSDB e participou da administração municipal durante o governo de Daniela Carneiro.

Em 2016, foi eleito vereador, tornando-se o parlamentar mais jovem daquela legislatura. Sua trajetória também inclui atividades ligadas à assistência social e à segurança comunitária.

A presidência da Câmara oferece uma oportunidade política importante: ampliar o diálogo com lideranças, conhecer as demandas dos diferentes setores da cidade e demonstrar capacidade de negociação.

O desafio de Alisson é transformar a visibilidade institucional em liderança majoritária.

Uma eleição para prefeito exige muito mais do que conquistar uma cadeira no Legislativo. É necessário falar com o município inteiro e apresentar um projeto consistente de governo.

Seu trunfo: juventude, experiência legislativa, atuação social e liderança institucional na Câmara.

Seu desafio: ampliar sua base política e demonstrar capacidade para administrar o Executivo.

 

Geninho: a força popular de quem conhece a população

Geninho, nome político de Genivaldo Moreira da Silva, apresenta uma trajetória diferente da maioria dos nomes que circulam nos bastidores da sucessão.

Nascido em Luziânia, em 1971, trabalhou como mecânico, boia-fria, motorista particular e motorista da própria Câmara Municipal. Também atuou no transporte de pessoas para Goiânia, experiência que o aproximou especialmente das demandas de saúde da população.

A trajetória descrita pela Câmara Municipal mostra um político que construiu vínculos com a comunidade antes de consolidar sua carreira legislativa. Atualmente, é vereador pelo União Brasil.

Seu perfil popular pode ser um patrimônio importante em uma disputa na qual proximidade com os moradores e conhecimento dos problemas cotidianos têm peso eleitoral.

Geninho pode representar uma alternativa para o eleitor que prefere alguém identificado com as dificuldades das famílias, especialmente nas áreas de saúde e assistência.

Por outro lado, uma eventual candidatura exigiria demonstrar capacidade técnica e política para administrar uma prefeitura com responsabilidades muito mais amplas.

Seu trunfo: identificação popular, atuação em demandas de saúde, experiência legislativa e proximidade com a população.

Seu desafio: transformar sua representação comunitária em um projeto administrativo abrangente e competitivo.

 

Iraneide Mariano: a sucessora natural ou apenas uma das opções de Janinho?

Entre todos os nomes mencionados, Iraneide Mariano apresenta uma vantagem política evidente: ocupa a vice-prefeitura ao lado de Jânio Pacheco.

Não se trata apenas de uma aproximação partidária ou eventual aliança. Iraneide participou das duas chapas vitoriosas encabeçadas por Janinho, em 2020 e 2024.

Sua trajetória política, entretanto, começou antes dessa parceria. Iraneide exerceu mandatos de vereadora entre 2005 e 2012, acumulando experiência legislativa antes de chegar ao Executivo.

Em reportagem publicada em 7 de novembro, o Jornal Opção registrou que Iraneide pretende disputar a prefeitura e considera que pesquisas poderão contribuir para a definição da candidatura.

A vice-prefeita reúne, portanto, três elementos relevantes: experiência eleitoral, atuação institucional e proximidade com o atual prefeito.

Mas sua posição também traz desafios.

Para convencer o eleitorado, Iraneide precisará demonstrar identidade política própria. Ser vice-prefeita de um gestor bem votado representa uma vantagem, mas não garante a transferência dos votos.

Outro desafio será administrar a concorrência com Ludmila Cozac, especialmente diante das articulações envolvendo o MDB e a base do governo Estadual.

Seu trunfo: participação nas duas chapas vitoriosas, experiência de vereadora e vice-prefeita e proximidade com Janinho Pacheco.

Seu desafio: conquistar protagonismo próprio, construir consenso partidário e demonstrar que pode liderar a próxima etapa da administração municipal.

 

Douglas Troncha: a experiência administrativa e a ligação com o produtor rural

Douglas Evangelista Troncha possui uma trajetória que reúne atuação política, experiência administrativa e vínculos com o setor agropecuário.

Formado em Direito, foi conselheiro tutelar, atuou no Sindicato Rural e exerceu funções nas secretarias municipais de Meio Ambiente e de Obras e Infraestrutura. Também participou de diretorias do Sindicato Rural de Ipameri e atuou como representante junto à Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG).

Em 2016, foi eleito vereador com 898 votos, votação expressiva, sendo o mais votado naquele pleito.

Essas experiências oferecem a Douglas uma combinação relevante: conhecimento da administração pública e aproximação com o agronegócio.

Em um município com importante atividade agropecuária, a capacidade de dialogar com produtores, empresários rurais e trabalhadores do campo pode representar uma vantagem. Muitos dizem que Douglas é detentor de grande carisma, isso o diferência de muitos adversarios.

Entretanto, o apoio do setor rural, isoladamente, não decide uma eleição municipal. O candidato precisará construir propostas também para a população urbana, envolvendo saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais.

Seu trunfo: experiência administrativa, atuação como produtor rural, conhecimento das demandas agropecuárias e urbanas e histórico eleitoral.

Seu desafio: ampliar sua presença política, fortalecer alianças e construir um projeto que alcance tanto o campo quanto a cidade.

 

Bartozinho: a nova geração política e o potencial de renovação

Bartô Filho, conhecido como Bartozinho, é um nome que combina experiência empresarial e mandato legislativo.

Bartolomeu Honório do Nascimento Filho nasceu em Ipameri em 1989. Empresário, possui formação em Administração de Empresas e pós-graduação em Liderança e Gestão Empresarial.

Atualmente vereador pelo PL, integra a Mesa Diretora da Câmara Municipal como segundo-secretário. Sua atuação política tem entre os temas declarados saúde, educação, desenvolvimento econômico e geração de empregos.

Bartozinho pode representar uma alternativa de renovação dentro do próprio grupo político que apoia Janinho Pacheco.

Sua vantagem é reunir a possibilidade de apoio do atual governo com uma imagem de renovação geracional. Ele estano PL  e é o principal nome do partido no munípio.

Mas há um obstáculo: a juventude e a ligação com um grupo político não são suficientes para vencer eleições. Será necessário demonstrar maturidade, independência, capacidade de gestão e um programa convincente para o município.

Seu trunfo: experiência empresarial, mandato de vereador, ligação com a base governista e possibilidade de representar uma nova geração política.

Seu desafio: ampliar o reconhecimento público e mostrar que está preparado para administrar o município.

 

Janinho Pacheco: o grande eleitor de 2028?

A sucessão de Ipameri tem uma particularidade. O principal protagonista da disputa pode não estar na urna.

Jânio Pacheco encerrará seu segundo mandato consecutivo em dezembro de 2028, mas poderá exercer influência sobre a escolha de quem tentará sucedê-lo.

Sua expressiva votação em 2024 lhe confere capital político. A estrutura de alianças formada ao longo dos dois mandatos também poderá pesar na construção da próxima candidatura.

Entretanto, o prefeito enfrentará um dilema estratégico.

Se escolher Iraneide, poderá apostar na continuidade administrativa e em uma parceira de duas eleições vitoriosas.

Se optar por Bartozinho, poderá fortalecer um nome mais jovem ligado à própria base governista.

Se abrir espaço para Ludmila Cozac, poderá buscar uma composição com uma liderança que já demonstrou competitividade eleitoral.

Alisson Rosa e Geninho também possuem posições institucionais que podem torná-los importantes nas negociações.

Já nomes como Douglas Troncha e Renato Sales poderiam ganhar espaço em arranjos políticos mais amplos, seja como eventuais candidatos, seja como articuladores de alianças.

Mas o prefeito terá de considerar um risco importante: uma escolha que não consiga unir sua própria base poderá fortalecer o campo adversário.

Por isso, mais importante do que anunciar um nome será construir uma candidatura com aceitação popular, capacidade de articulação e condições reais de disputar a eleição.

E Daniela Carneiro? A ex-prefeita ainda pode alterar o jogo

Daniela ocupa um lugar singular nessa disputa. Ela representa um período de oito anos de governo e possui histórico de vitórias e uma base eleitoral identificável.

Porém, o cenário de 2028 apresenta uma incerteza relevante.

Segundo o Jornal Opção, fontes políticas locais afirmam que Daniela estaria dizendo que não pretende voltar a disputar a prefeitura. A informação ainda não equivale a uma declaração pública definitiva de desistência.

Se decidir ficar fora da eleição, seu apoio poderá beneficiar outro nome. Se reconsiderar e entrar na disputa, terá o desafio de reconstruir sua força política diante de um grupo governista fortalecido.

O fato é que Daniela não pode ser ignorada na análise da sucessão, independentemente da decisão que venha a tomar.

O eleitor de Ipameri quer continuidade ou mudança?

Essa talvez seja a pergunta mais importante de toda a sucessão.

A eleição de 2028 não será decidida exclusivamente pela escolha de Jânio Pacheco nem pelas reuniões entre presidentes partidários e lideranças empresariais.

Será decidida pela avaliação que os eleitores fizerem da administração atual e, principalmente, pela confiança depositada em quem apresentar as melhores condições para governar a cidade.

O próximo prefeito terá de responder a questões concretas: como melhorar os serviços de saúde? Como fortalecer a educação? Como ampliar as oportunidades de emprego? Como cuidar da infraestrutura urbana e rural? Como atrair investimentos e, ao mesmo tempo, manter a responsabilidade com o dinheiro público?

Há espaço para quem defenda a continuidade. Há espaço para quem proponha mudanças. E também para uma terceira alternativa que consiga unir experiência administrativa e renovação política.

O que ainda não existe é uma pesquisa eleitoral pública apresentada nesta análise que permita afirmar qual dos nomes lidera a preferência dos moradores.

A sucessão está aberta, e o apoio de Janinho pode mudar tudo

A política de Ipameri entra em um período decisivo de reorganização de forças. Os nomes começam a surgir, as conversas ganham intensidade e os grupos procuram medir suas possibilidades.

Iraneide tem a proximidade com o prefeito. Ludmila tem histórico eleitoral e influência partidária. Bartozinho representa uma possibilidade de renovação dentro da base. Alisson ocupa um posto estratégico no Legislativo. Geninho possui identificação popular. Douglas traz experiência administrativa e ligação com o campo. Renato Sales pode representar uma alternativa oriunda da iniciativa privada. Daniela, por sua vez, carrega a experiência de quem já governou por oito anos.

Nenhum desses atributos, isoladamente, garante uma vitória.

A grande prova de força de Janinho Pacheco será demonstrar se conseguirá converter sua própria popularidade em apoio efetivo a um sucessor.

Mas a democracia tem uma característica que frequentemente surpreende até os políticos mais experientes: ninguém é dono dos votos que recebeu.

O apoio do prefeito poderá fortalecer uma candidatura, mas a palavra final será sempre do eleitor.

E, entre tantos nomes, interesses e possibilidades, uma pergunta continuará movimentando os bastidores de Ipameri:

Jânio Pacheco escolherá quem considera mais preparado para governar, quem demonstra maior força eleitoral ou quem oferece as melhores condições políticas para manter seu grupo no poder?

A resposta poderá definir os rumos da política ipamerina pelos próximos anos.