O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da decisão que autorizou a operação da Polícia Federal (PF) contra um grupo investigado por possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A medida tornou públicos detalhes das investigações e das diligências realizadas pela PF. As ações ocorreram em endereços localizados no Ceará, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.
PF investiga origem e destino de recursos
A apuração busca identificar a origem e a destinação de recursos que teriam sido utilizados por entidades envolvidas no projeto. Entre os pontos investigados estão possíveis irregularidades na aplicação de valores públicos provenientes de emendas parlamentares.
De acordo com os elementos apresentados pela Polícia Federal ao STF, a investigação envolve mais de 50 pessoas. O deputado federal Mario Frias (PL-SP) está entre os nomes citados no inquérito.
Também aparecem na investigação o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a empresa Go Up Entertainment, relacionada à produção do longa-metragem.
Investigação começou em junho
O inquérito foi instaurado em 23 de junho de 2026, a partir de elementos reunidos pelas autoridades responsáveis pela apuração. Entre os documentos analisados está uma nota técnica elaborada pela Controladoria-Geral da União (CGU) sobre a execução de emendas parlamentares e a atuação das entidades envolvidas.
Com a autorização do STF, os agentes da PF realizaram buscas e apreensões para recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.
Os equipamentos e documentos apreendidos deverão ser submetidos à análise técnica. A intenção é identificar eventuais registros de movimentações financeiras, comunicações e outros elementos relacionados aos fatos investigados.
Decisão cita entidades ligadas à produção
Na decisão, Flávio Dino também menciona a relação entre as entidades investigadas e a produção de “Dark Horse”.
A Go Up Entertainment aparece como responsável pela produção do filme. A empresa está ligada a Karina Ferreira da Gama, que também é citada como presidente do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura.
A PF busca esclarecer se houve conexão entre a utilização de recursos públicos pelas entidades e o financiamento do projeto cinematográfico.
Por que o sigilo foi retirado?
A decisão que autorizou as medidas permaneceu sob sigilo durante a execução das diligências. Após o cumprimento das buscas, Dino determinou a retirada do segredo de Justiça, permitindo que o conteúdo da decisão e os fundamentos apresentados para a operação fossem conhecidos.
O ministro determinou ainda que, depois da realização das medidas, o processo seja encaminhado para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Investigados ainda não foram condenados
A operação está na fase de investigação e tem como objetivo reunir provas sobre as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal.
A inclusão de pessoas e empresas no inquérito ou o cumprimento de mandados de busca e apreensão não significa condenação nem comprovação definitiva de crime. Caberá à investigação determinar se houve irregularidades e, posteriormente, ao Ministério Público avaliar eventuais responsabilidades.