O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas a ele. O ministro Alexandre de Moraes foi designado relator do caso, divulgado neste domingo (18).
A investigação teve origem em uma apuração da Polícia Federal (PF) que tramitava na primeira instância, no Rio Grande do Sul, e envolvia suspeitas de crimes financeiros relacionados ao setor de apostas. O nome do senador apareceu durante a análise de dados eletrônicos e documentos vinculados ao advogado, o que levou ao encaminhamento do caso ao STF em razão do foro parlamentar.
PF apura movimentações financeiras e vínculos empresariais
Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão registros de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, ligada a Willer Tomaz. Segundo informações obtidas pela Polícia Federal, Flávio Bolsonaro teria sido cadastrado como “usuário master” da conta, perfil que permitiria acesso operacional e gerenciamento das movimentações.
E-mails localizados durante a investigação indicam que, em maio de 2025, uma funcionária do advogado solicitou ao banco a retirada do acesso atribuído ao senador.
A PF também identificou registros de encontros, reuniões e festas envolvendo os dois, além de documentos pessoais de Flávio encontrados no armazenamento digital de Tomaz. Os investigadores analisam ainda informações sobre viagens do parlamentar custeadas por uma empresa ligada ao advogado.
Os elementos estão sendo examinados para esclarecer a natureza da relação entre os dois e verificar a eventual existência de vínculos financeiros ou societários não formalizados.
Investigação começou com apuração sobre apostas
A apuração inicial envolvia suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a operações financeiras e ao mercado de apostas. Durante as diligências, a PF identificou indícios sobre a atuação empresarial de Willer Tomaz e passou a examinar movimentações bancárias e possíveis conexões com outras empresas.
O advogado também é investigado em outra frente relacionada a suspeitas de irregularidades envolvendo descontos em benefícios previdenciários, no contexto da Operação Sem Desconto. Essa apuração tem objeto próprio e não significa que os fatos investigados sejam necessariamente relacionados.
No novo inquérito, a Polícia Federal busca esclarecer a origem e a destinação dos recursos, além de determinar se houve prática de lavagem de dinheiro e eventual participação de outras pessoas.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam negócios em conjunto
Flávio Bolsonaro afirma que sua relação com Willer Tomaz é de amizade e nega manter negócios com o advogado. Em manifestação divulgada anteriormente, o senador também contestou a interpretação de que teria mantido uma conta compartilhada com o empresário e afirmou que a solicitação de retirada de seu acesso demonstraria a necessidade de corrigir uma vinculação indevida.
Willer Tomaz também negou a existência de vínculos financeiros ou societários com o parlamentar. O advogado contestou as informações divulgadas e afirmou que a relação entre os dois é exclusivamente de amizade.
As suspeitas ainda serão apuradas no curso do inquérito. A abertura da investigação não representa condenação nem comprova, por si só, a prática de qualquer crime.
Segundo inquérito de Flávio Bolsonaro no STF
O senador também é investigado em outro procedimento no Supremo relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse caso, a apuração envolve suspeitas sobre a origem dos recursos destinados ao projeto e possíveis irregularidades financeiras.
O novo inquérito, relacionado a Willer Tomaz e às movimentações financeiras sob análise da PF, tem objeto distinto. Os procedimentos seguem em apurações separadas no Supremo Tribunal Federal.