O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira (23), autorizações para a divulgação de seus dados bancários e telefônicos. A medida ocorre após o desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que propôs a abertura simultânea dos sigilos dos dois candidatos à Presidência. Flávio também cobrou do petista a divulgação dos gastos com o cartão corporativo presidencial e dos registros de visitas ao gabinete.
Na petição enviada à Corte, o senador argumentou que a transparência sobre despesas custeadas com dinheiro público deve fazer parte do debate eleitoral. Ele citou uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), segundo a qual 99,55% dos gastos com cartões corporativos da Presidência, entre janeiro de 2023 e abril de 2025, foram classificados como sigilosos ou reservados.
Flávio também solicitou a divulgação dos registros de pessoas que visitaram o gabinete presidencial. A cobrança ocorre em meio à troca de acusações entre os candidatos durante a campanha eleitoral.
Abertura de sigilos envolve os dois candidatos
A disputa começou no último domingo (18), durante debate na TV Band, quando Lula desafiou Flávio a autorizar a divulgação de informações bancárias e telefônicas. Na sequência, as campanhas passaram a apresentar condições para a abertura dos dados, incluindo informações relacionadas a familiares e empresas ligadas aos candidatos.
Na quinta-feira (22), representantes das duas campanhas apresentaram ao TSE um documento com autorizações para a divulgação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico. O acordo também abrange familiares e pessoas jurídicas vinculadas aos candidatos, conforme os termos apresentados à Justiça Eleitoral.
O vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, afirmou que os próprios titulares podem autorizar a divulgação de informações protegidas por sigilo, sem necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral. A apresentação das autorizações, no entanto, não significa que os dados já tenham sido divulgados publicamente.
Flávio cobra divulgação de gastos da Presidência
Além dos dados pessoais, Flávio Bolsonaro pediu que Lula divulgue informações sobre os gastos do cartão corporativo da Presidência e os registros de visitas ao gabinete presidencial. O senador argumenta que a população deve ter acesso a informações sobre a utilização de recursos públicos.
A oposição também tem cobrado explicações sobre uma reunião de Lula com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e antigo proprietário do Banco Master, e sobre a relação da lobista Roberta Luchsinger com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. As menções fazem parte das críticas políticas feitas ao governo durante a campanha; eventuais suspeitas devem ser avaliadas conforme as investigações e as informações oficialmente disponíveis.
Deltan Dallagnol vai analisar documentos de Lula
A campanha de Flávio também convocou Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato, para examinar os documentos apresentados pela equipe de Lula. Segundo Dallagnol, o trabalho inicial será verificar se o material entregue está completo.
O ex-procurador afirmou que pretende analisar informações fiscais e bancárias do presidente e de seus familiares, com atenção especial ao período relacionado às investigações da Lava Jato. A análise anunciada pela campanha não representa, por si só, uma conclusão sobre a existência de irregularidades.