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Empresário citado em mensagens sobre Lulinha soma R$ 63,4 milhões em contratos com governo Lula

O empresário Marcelo Checon, proprietário da MChecon Design e Cenografia, empresa especializada em produção de eventos, montagem de estruturas e cenografia, aparece em uma conversa recuperada pela Polícia Federal no âmbito das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde o início do terceiro mandato do petista, a empresa de Checon firmou contratos que somam R$ 63,4 milhões com órgãos do governo federal.

As informações sobre os contratos foram divulgadas pelo Metrópoles e repercutidas pelo Jornal Opção. Segundo os dados apresentados, a MChecon assinou 13 contratos com diferentes órgãos do Executivo federal desde janeiro de 2023.

O volume de recursos chama atenção quando comparado ao histórico da empresa antes do atual governo. Em maio de 2022, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, a MChecon havia firmado um contrato de aproximadamente R$ 197 mil com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Entre 2023 e 2026, porém, a empresa passou a prestar serviços para diversos órgãos da administração federal, ampliando significativamente sua participação em contratos públicos.

Empresa atua em eventos do governo

Entre os órgãos que contrataram os serviços da MChecon estão os ministérios do Desenvolvimento Agrário, Turismo, Cultura, Desenvolvimento e Assistência Social e Educação. A empresa também firmou contratos com a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e com a Presidência da República.

A atuação da empresa inclui a montagem de estruturas e a produção de grandes eventos. A MChecon participou, por exemplo, da produção da Casa Brasil durante a COP30, realizada em Belém, em 2025.

A companhia também esteve envolvida na estrutura montada em Paris durante os Jogos Olímpicos de 2024.

Nome aparece em conversa recuperada pela PF

A ligação de Checon com o caso envolvendo Lulinha surgiu após o empresário ser citado em uma conversa recuperada pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger.

O diálogo ocorreu em agosto de 2025 e envolveu também o empresário Cléber Ribas. Na conversa, Luchsinger teria relatado que havia informado a Lulinha que deixaria de pagar passagens aéreas para ele.

Segundo o conteúdo obtido pela investigação, Lulinha teria respondido que passaria a procurar Cléber Ribas e Marcelo Checon para obter ajuda com as despesas.

Na mesma conversa, a lobista menciona gastos mensais de aproximadamente R$ 100 mil relacionados ao que chama de “a casa”. O conteúdo foi inicialmente revelado pelo Estadão e posteriormente confirmado pelo Metrópoles.

Citação não comprova pagamento de despesas

Apesar de Checon ser mencionado na conversa, o conteúdo recuperado pela PF não comprova que o empresário tenha efetivamente pago passagens aéreas ou assumido outras despesas pessoais de Lulinha.

A própria reportagem ressalta que a simples menção ao nome do empresário não permite concluir que ele tenha realizado os pagamentos citados na conversa.

Marcelo Checon foi procurado para comentar as informações, mas, até a publicação da reportagem, não havia apresentado manifestação sobre o caso.

As circunstâncias envolvendo os contratos e as relações mencionadas nas mensagens permanecem no âmbito das investigações conduzidas pelas autoridades.

Investigação envolve relações de Lulinha

As mensagens fazem parte do conjunto de elementos analisados pela Polícia Federal em investigação que busca esclarecer possíveis relações entre Lulinha, Roberta Luchsinger e empresários que mantêm negócios com o governo federal.

A apuração também busca compreender o contexto das conversas, as relações financeiras mencionadas e eventual influência sobre contratos públicos.

Até o momento, a existência dos contratos da MChecon com órgãos federais, por si só, não demonstra irregularidade. Da mesma forma, a citação de Checon nas mensagens não comprova participação em eventual ilícito ou que ele tenha custeado despesas de Lulinha.

O caso segue sob investigação e novas informações podem esclarecer a relação entre os envolvidos e os contratos firmados durante o atual governo.