A cúpula da Polícia Federal (PF) foi comunicada nesta terça-feira (8) sobre o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a decisão, o diretor-executivo da PF, William Murad, passou a exercer interinamente o comando da instituição.
Murad era o número dois na estrutura da Polícia Federal e considerado braço direito de Rodrigues. A escolha para assumir temporariamente a direção indica, neste primeiro momento, uma continuidade na condução da corporação. O delegado ingressou na PF em 2002 e já ocupou diferentes funções de chefia.
Entre as funções exercidas por Murad estão a coordenação-geral de Inteligência da Diretoria de Inteligência Policial, a direção de Tecnologia da Informação e Inovação e o cargo de adido da Polícia Federal no Reino Unido.
Afastamento determinado pelo STF
O afastamento de Andrei Rodrigues foi determinado por André Mendonça em meio a uma crise envolvendo o ministro, a Polícia Federal e outros integrantes do Supremo.
Além de Rodrigues, Mendonça determinou o afastamento de Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF. A decisão está relacionada a relatórios produzidos pela área de inteligência da corporação que, segundo Mendonça, teriam resultado em monitoramento considerado ilegal de sua atuação e também do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Um dos relatórios foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para solicitar uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, o que aprofundou o conflito entre os ministros e provocou uma crise institucional envolvendo a PF.
Maioria no STF mantém afastamento
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues. O julgamento, porém, foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Mesmo com a suspensão do julgamento, o afastamento permanece válido. A decisão também alcança Leandro Almada, que deixou temporariamente o comando da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal.
Diretores colocam cargos à disposição
A decisão provocou reação dentro da Polícia Federal. Onze diretores da corporação colocaram os cargos à disposição após o afastamento de Rodrigues e Almada.
O movimento foi interpretado como uma demonstração de apoio aos dois dirigentes e de preocupação com possíveis interferências externas na autonomia da instituição. William Murad, que assumiu interinamente a direção-geral, declarou confiança na condução de Andrei Rodrigues e defendeu serenidade diante da crise.
A crise entre a PF e integrantes do STF ocorre em um momento de forte tensão institucional, com investigações envolvendo autoridades dos três Poderes e repercussões políticas em Brasília.