O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (22) da abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Como ocorre tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a ter seu chefe de Estado no debate geral da organização.
Antes da fala de Lula, o secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu os trabalhos com um alerta sobre os conflitos internacionais e defendeu o fim das guerras. Em seu pronunciamento, Guterres também destacou a crise climática, a desigualdade e os riscos relacionados ao uso da inteligência artificial.
Lula aborda soberania e democracia
O discurso de Lula ocorre em um cenário de tensão nas relações internacionais e de discussões sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro.
Segundo informações divulgadas antes do pronunciamento, o presidente deve defender o multilateralismo, a democracia e a soberania nacional. A questão da integridade das eleições brasileiras também está entre os assuntos relacionados ao discurso.
Lula havia afirmado, em entrevista à CNN Internacional, que estava preocupado com uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras. O presidente, porém, reconheceu que havia apenas suspeitas sobre essa possibilidade.
Apesar das tensões diplomáticas, a expectativa era de que o presidente brasileiro evitasse citar diretamente os Estados Unidos ou outros chefes de Estado ao tratar do assunto.
Guerras e crise internacional
A abertura da Assembleia Geral acontece em meio a conflitos que continuam ocupando o centro da agenda internacional.
António Guterres utilizou seu pronunciamento para pedir o fim dos combates e mencionou a situação no Oriente Médio, além de destacar os conflitos e desafios que envolvem a segurança internacional.
A guerra entre Rússia e Ucrânia também aparece entre os temas de preocupação da comunidade internacional. A incapacidade da ONU de solucionar alguns dos principais conflitos globais reforça o debate sobre a necessidade de reformas na organização.
Clima e inteligência artificial
Outro eixo da abertura da Assembleia Geral foi a discussão sobre os impactos das novas tecnologias e da crise climática.
Guterres alertou para a necessidade de estabelecer regras para o desenvolvimento da inteligência artificial e defendeu que decisões relacionadas à vida e à segurança não sejam delegadas a máquinas.
O tema ambiental também deve permanecer entre as prioridades da agenda internacional, especialmente diante das discussões sobre desenvolvimento sustentável e redução das emissões.
Lula e Trump participam da abertura
Depois do discurso do presidente brasileiro, a programação prevê a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A ordem dos discursos mantém a tradição segundo a qual o Brasil abre o debate geral da Assembleia Geral, seguido pelo país anfitrião, os Estados Unidos.
Esta é a décima participação de Lula na Assembleia Geral da ONU. De acordo com o calendário divulgado, trata-se também do último discurso do atual mandato presidencial na abertura do encontro. A 81ª Assembleia Geral tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”.
Viagem rápida a Nova York
A passagem de Lula pelos Estados Unidos foi planejada para ser curta. O presidente viajou a Nova York no domingo (20) e tinha previsão de retornar ao Brasil logo após sua participação na abertura da Assembleia Geral.
A agenda reduzida ocorre durante o período eleitoral brasileiro. Antes do discurso, Lula também tinha encontro previsto com o secretário-geral da ONU.
Na véspera da abertura, o presidente brasileiro participou de reuniões com autoridades e lideranças internacionais, incluindo o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador norte-americano Bernie Sanders.
O que está em jogo na ONU
A participação brasileira acontece em um momento de fortes discussões sobre guerras, soberania nacional, democracia, mudanças climáticas, inteligência artificial e o funcionamento das instituições multilaterais.
O discurso de Lula coloca o Brasil novamente no centro da abertura do principal encontro anual de chefes de Estado da ONU, enquanto a sequência de pronunciamentos de Lula e Trump concentra a atenção sobre as posições dos dois países em relação aos principais temas da agenda internacional.