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Lula aposta no fim da escala 6×1 e no passe livre para conquistar votos no segundo turno

Presidente tenta ampliar apoio eleitoral com propostas voltadas aos trabalhadores, ao transporte público e à renda das famílias; parte das medidas já avançou no Congresso, enquanto outras ainda depende de aprovação
foto: reprodução

A reta final da disputa presidencial ganhou novos ingredientes com a aposta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em medidas de apelo popular. Entre as principais iniciativas estão o fim da escala de trabalho 6×1, a ampliação de benefícios para microempreendedores e a proposta de passe livre no transporte público aos fins de semana.

As medidas integram a estratégia da campanha petista para conquistar eleitores e tentar reverter o resultado do primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente. A disputa segue acirrada, com pesquisas recentes apontando empate técnico entre os candidatos. Levantamentos divulgados nesta semana mostram que a reta final será marcada pela tentativa de ampliar a identificação dos eleitores com as propostas de cada candidatura.

Fim da escala 6×1 avança no Congresso

Uma das principais bandeiras de Lula, o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias e descansa um — avançou no Congresso Nacional. A proposta foi aprovada pelo Senado em dois turnos na quarta-feira (14) e prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.

A medida é considerada estratégica para a campanha por dialogar diretamente com trabalhadores que buscam mais tempo para a família, o lazer e a vida pessoal. Uma pesquisa Quaest citada pelo Metrópoles indicou que 61% dos entrevistados que conheciam a proposta aprovavam o fim da escala, enquanto 20% desaprovavam.

A aprovação ocorreu poucos dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e passou a integrar o discurso eleitoral do presidente. A proposta também pressiona o adversário a se posicionar sobre uma pauta com impacto direto na rotina de milhões de brasileiros.

Passe livre e benefícios sociais entram na disputa

Na quinta-feira (15), Lula anunciou que pretende enviar ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte público gratuito aos fins de semana em todas as cidades brasileiras que contam com o serviço.

Segundo o presidente, parte do financiamento viria de emendas parlamentares. A iniciativa, no entanto, ainda depende de tramitação e aprovação no Congresso, portanto não representa um benefício já disponível à população.

Outra proposta apresentada por Lula é a ampliação do programa Pé-de-Meia para estudantes universitários, com previsão de investimento de aproximadamente R$ 4,6 bilhões e atendimento estimado de um milhão de jovens por ano. A iniciativa foi anunciada como parte dos planos para um eventual novo mandato, a partir de 2027.

Na área econômica, o Senado também aprovou um projeto que amplia o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI), com previsão de elevação de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028. O texto também prevê a possibilidade de contratação de até dois empregados e medidas de perdão de dívidas, conforme as regras estabelecidas na proposta.

Estratégia busca ampliar apoio na reta final

O conjunto de medidas procura aproximar a campanha de Lula de eleitores preocupados com renda, custo de vida, condições de trabalho e acesso a serviços. Trabalhadores, mulheres, jovens e eleitores indecisos estão entre os segmentos que a campanha pretende alcançar.

A aprovação de propostas no Congresso, porém, não garante automaticamente a conversão dessas iniciativas em votos. A reação do eleitorado também depende da percepção sobre a viabilidade das medidas, seus efeitos concretos e a capacidade de cada candidato de apresentar respostas para os problemas cotidianos.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, Lula aposta em pautas que podem ter impacto direto na vida da população para ampliar sua base eleitoral. Flávio Bolsonaro, por sua vez, mantém a disputa concentrada na comparação entre os projetos políticos e na mobilização de seus apoiadores.

A reta final será decisiva para avaliar se as medidas anunciadas e aprovadas terão força para modificar as escolhas dos eleitores ou se a disputa continuará marcada pela polarização e pela rejeição aos dois candidatos.