O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma nova estratégia de comunicação para o segundo turno das eleições de 2026. A campanha passou a apostar em vídeos gravados pelo próprio presidente, em formato selfie, com uma linguagem mais direta e adaptada às redes sociais.
A mudança ocorre depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). O objetivo da campanha é ampliar o alcance do candidato, especialmente entre usuários mais jovens, e tentar recuperar votos na reta final da disputa.
Lula publica primeiros vídeos no novo formato
Nesta quarta-feira (7), Lula publicou dois vídeos em formato selfie em seus perfis nas redes sociais.
Em um deles, o presidente convocou apoiadores a deixarem as redes e irem às ruas conversar diretamente com eleitores. A mensagem foi direcionada a pessoas que defendem pautas como educação, emprego e democracia.
No segundo conteúdo, Lula abordou a proposta de fim da escala de trabalho 6×1. O presidente questionou como Flávio Bolsonaro e o PL pretendem se posicionar diante da proposta.
A escolha por vídeos mais curtos e gravados diretamente pelo candidato busca aproximar a comunicação presidencial do formato utilizado por criadores de conteúdo nas plataformas digitais.
Estratégia foi sugerida por aliados
A mudança na comunicação ganhou força após sugestões apresentadas por aliados de Lula durante as discussões sobre os rumos da campanha no segundo turno.
Entre os incentivadores está o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que utiliza frequentemente vídeos nas redes sociais para se comunicar diretamente com o público.
A proposta também conta com a participação de jovens parlamentares do PT, chamados para contribuir com a estratégia digital da campanha.
Campanha busca aproximação com o eleitor jovem
A aposta no formato selfie faz parte de uma mudança mais ampla na comunicação de Lula. A campanha vem testando diferentes formatos digitais, incluindo vídeos de reação e transmissões ao vivo.
Em setembro, a equipe já havia adotado conteúdos de “react”, nos quais Lula interage com vídeos produzidos por outros usuários. Segundo levantamento citado pelo Metrópoles, a estratégia contribuiu para elevar o número de interações no Instagram naquele período.
A necessidade de ampliar a presença digital ganhou importância diante do desempenho de Flávio Bolsonaro nas redes. Levantamento da HypeAuditor citado pela imprensa apontou que Lula possui mais seguidores no Instagram, mas Flávio apresentava médias superiores de visualizações de vídeos no TikTok e de engajamento em algumas métricas.
Resultado do primeiro turno provocou mudança de estratégia
A alteração na comunicação ocorre depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno na liderança.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio registrou 47,03% dos votos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, levando a disputa presidencial para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Após o resultado, a campanha petista passou a discutir mudanças na estratégia, incluindo maior presença nas ruas, intensificação da comunicação digital, participação em debates e ações para reduzir a abstenção.
Mais rua e mais redes
Além dos vídeos de selfie, Lula pretende manter uma agenda de contato direto com os eleitores. A campanha também trabalha para ampliar a mobilização no Nordeste e buscar votos entre eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
A orientação é combinar a tradicional estratégia de comícios e eventos presenciais com conteúdos produzidos especificamente para as redes sociais.
A mudança ocorre em uma campanha na qual TikTok, Instagram, YouTube e outras plataformas digitais ganharam espaço na disputa pela atenção do eleitor, especialmente entre públicos mais jovens.
Segundo turno será marcado pela disputa digital
A corrida presidencial entra agora em uma fase de pouco mais de duas semanas até a votação. Nesse período, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro devem ampliar a produção de conteúdos para as redes sociais e buscar maior engajamento dos eleitores.
A estratégia de Lula com os vídeos selfie representa uma tentativa de tornar a comunicação mais espontânea e próxima do público, em paralelo à propaganda eleitoral, aos debates e aos atos presenciais.