O Governo de Goiás realiza nesta terça-feira (25), às 10h, a licitação para definir as instituições que serão responsáveis pela criação, estruturação e operação do primeiro Fundo de Investimento Imobiliário (FII) do Estado. O projeto foi desenvolvido para transformar imóveis públicos em ativos com potencial de geração de receitas e atração de investimentos.
A iniciativa apresenta um potencial de R$ 12,3 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), considerando os empreendimentos que poderão ser desenvolvidos a partir dos ativos imobiliários estaduais.
A concorrência é conduzida pela Secretaria de Estado da Administração (Sead) e terá julgamento por técnica e preço. O consórcio vencedor deverá ser formado por duas instituições: um administrador fiduciário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e um gestor profissional habilitado.
Governo quer mudar modelo de uso dos imóveis públicos
A proposta pretende mudar a forma como o Estado aproveita imóveis que atualmente estão sem utilização ou que apresentam potencial econômico ainda não explorado.
Com o fundo imobiliário, a intenção é evitar que a única alternativa para um imóvel público seja a venda. A estratégia permite avaliar a possibilidade de desenvolver empreendimentos, atrair investidores e gerar valorização dos ativos ao longo do tempo.
O modelo foi autorizado pela Lei Estadual nº 24.387/2026, sancionada neste ano, e tem como referência uma experiência semelhante adotada pelo Estado de São Paulo.
Segundo o secretário da Administração, Francisco Sérvulo Freire Nogueira, a mudança representa uma nova visão sobre o patrimônio público.
“Esses ativos deixam de ser tratados apenas como bens passíveis de alienação e passam a ser considerados instrumentos capazes de gerar valor ao longo do tempo, com governança, gestão profissional e possibilidade de atração de investidores para projetos que ampliem seu uso econômico e sua valorização”, afirmou.
Contrato pode chegar a R$ 77,7 milhões
O edital estabelece um valor estimado de R$ 77.748.187 para a contratação das instituições responsáveis pelo fundo, considerando todo o período previsto para a operação.
O Estado, entretanto, continuará responsável pela definição das diretrizes da política patrimonial. Também caberá ao poder público estabelecer limites de atuação e acompanhar a preservação do interesse público na utilização dos imóveis.
A operação do fundo ficará sob responsabilidade das instituições especializadas selecionadas na licitação.
17 imóveis foram avaliados nos estudos
Para analisar a viabilidade econômica da iniciativa, o Governo de Goiás realizou estudos envolvendo 17 imóveis estaduais.
Os ativos foram avaliados considerando diferentes características, como localização, situação jurídica, ocupação, vocação para novos empreendimentos e potencial de valorização.
De acordo com os anexos do edital, os 17 imóveis analisados apresentam potencial para receber projetos que, após a construção e comercialização, poderiam movimentar até R$ 1,8 bilhão em VGV.
O estudo serviu como amostra para avaliar a viabilidade do modelo e identificar as possibilidades de aproveitamento econômico do patrimônio imobiliário estadual.
Como vai funcionar o Fundo Imobiliário de Goiás
O FII será estruturado e administrado por instituições especializadas do mercado financeiro e imobiliário.
O consórcio contratado terá duas funções principais:
- Administrador fiduciário: instituição autorizada pela CVM responsável pela administração formal do fundo;
- Gestor profissional: responsável pela gestão dos ativos e pela condução das estratégias de investimento.
A atuação das empresas deverá seguir as regras estabelecidas pela legislação e pelos órgãos reguladores.
Com isso, o governo pretende profissionalizar a administração dos imóveis e criar condições para que áreas públicas sejam utilizadas em projetos capazes de gerar novos negócios.
Potencial de R$ 12,3 bilhões
O número de R$ 12,3 bilhões representa o potencial de Valor Geral de Vendas associado ao modelo de exploração dos ativos imobiliários.
O VGV corresponde à estimativa de quanto poderá ser movimentado com a venda dos imóveis ou unidades dos empreendimentos que eventualmente forem desenvolvidos.
Isso não significa, portanto, que o Governo de Goiás terá imediatamente R$ 12,3 bilhões em caixa. O valor representa o potencial econômico dos projetos que poderão ser viabilizados por meio do fundo.
A estratégia é utilizar o patrimônio público como ponto de partida para novos empreendimentos e, dessa forma, ampliar a capacidade de geração de valor dos imóveis estaduais.
Licitação acontece nesta terça-feira
A sessão pública da concorrência está marcada para 25 de agosto, às 10h. O processo será realizado pela Sead e terá como critério de escolha a combinação entre técnica e preço.
O edital está disponível na plataforma Sislog, sob a contratação nº 120732.
A expectativa do governo é que a escolha das instituições responsáveis pelo fundo marque o início de uma nova etapa na gestão do patrimônio imobiliário estadual, com maior participação de mecanismos de mercado, gestão especializada e possibilidade de atração de investimentos privados para áreas pertencentes a Goiás.